O Hábito da Felicidade

Por Karina Magolbo
Publicado em 26/09/2013

Esta semana abro espaço para uma matéria bem interessante publicada na última edição da Liderança, da jornalista Ana Costa.

Tirando o amor, a felicidade é uma das palavras mais difíceis de definição. Muitos já tentaram, mas poucos conseguiram reunir, em uma única ideia, sua definição. Se defini-la é difícil, imagine senti-la, ou ter a certeza de que ela está em você. Parece impossível, mas tem gente que já conseguiu fazer da tal da felicidade a sua melhor amiga.

Segundo o famoso monge budista francês Matthieu Ricard, que já foi apresentado como o “homem mais feliz do mundo”, e ainda figura nesta lista, talvez entre outros a esta altura da viagem. Ele defende que tudo na vida depende de treinamento, e isso se aplica também à felicidade: “ela não depende de condições. Depende, sim, da compaixão e amor incondicionais, que vão ativar certas ondas cerebrais. O amor altruísta é o sentimento mais positivo e produz o mais construtivo estado de espírito de todos, enquanto o egoísmo é o mais miserável”, afirma o monge.

Tudo bem, pode ser meio “zen” para você, mas vamos concordar que o mau-humor, realmente, traz uma energia ruim e atrapalha todo o resto. Segundo Ricard, o que impede a felicidade de se instalar dentro de cada um de nós são os estados de espírito de raiva, ciúme, inveja, arrogância ou desespero. Para mandar para bem longe todos eles, o monge pratica meditação, que fornece recursos para lidar com os altos e baixos das circunstâncias.

Você já levantou uma manhã e pensou: “hoje eu quero sofrer”? É claro que não! E isso faz cair por terra a eterna lenda de que a inspiração, a boa música e os melhores artistas precisam ser fonte de desespero, depressão e infelicidade. Matthieu Ricard frisa que já foram feitos estudos sobre a criatividade, e a grande maioria dos artistas consta de pessoas comuns, normais, que não andam por aí cortando as orelhas. 

Assim sendo, vamos correr atrás do que nos faz feliz para aumentar a felicidade de quem nos rodeia, em casa e no trabalho, bem como aumentar nossa produtividade.

Simples Assim

Escritor e fotógrafo, tradutor de numerosos textos budistas e um dos porta-vozes e tradutores oficiais do Dalai Lama, o francês Matthieu Ricard é um homem da ciência. Ph.D. em genética molecular pelo Instituto Pasteur, ele abandonou a carreira científica e concentrou-se na prática do budismo tibetano, nos idos dos anos 70. Dotado de enorme humildade e simplicidade, aliada à sabedoria, humanidade e doçura, Ricard afirma que qualquer pessoa pode treinar a mente e seus hábitos de bem-estar para conquistar a felicidade.

Este simplismo também tem sido defendido por pesquisadores de neuroplasticidade (capacidade do cérebro de mudar depois de adulto), os quais afirmam que é possível reprogramar o cérebro adotando novos hábitos de vida. Ou seja, é quase como uma atividade física: a persistência é a grande geradora de resultados.

Shawn Achor, autor e pesquisador de Harvard, desafia os leitores de um de seus livros a fazer um exercício breve e simples diariamente, durante 21 dias:

1) Escreva três coisas diferentes pelas quais é grato;
2) Escreva durante dois minutos sobre uma experiência positiva que você teve nas últimas 24 horas;
3) Faça exercícios físicos por pelo menos 10 minutos, todos os dias;
4) Medite por dois minutos, concentrando-se na inspiração e expiração;
5) Mande um e-mail logo pela manhã, de agradecimento ou carinho, para alguém de sua rede de contatos (familiar, amigo, professores antigos, etc).

Qualquer um pode fazer isso. Vamos tentar?

Não se Iluda

O que te faz feliz? A resposta a esta pergunta geralmente vem recheada de coisas como dinheiro, poder, aparência física… Ou seja: uma série de “se”, em um mundo de fantasia e desejos que talvez nunca possam ser realizados.

De acordo com Matthieu Ricard, geralmente as pessoas estão perseguindo algo que não as tornará felizes. Ele montou uma lista das “dez coisas que nós acreditamos que nos farão felizes, mas não fazem”. Você quer algo que está aqui? Acredito que, se você for humano, a resposta é “sim”. Por isso, está na hora de reavaliarmos nossas expectativas e buscas para sermos felizes em nossa essência, não escravos de coisas. Vamos à lista:

1. Ser rico, poderoso e famoso.
2. Tratar o universo como se fosse um catálogo de pedidos para os nossos caprichos e desejos.
3. Desejar a “liberdade” para fazer tudo o que vem à mente (isto não é ser livre, mas escravos de nossos pensamentos).
4. Buscar constantemente nossas sensações prazerosas, uma após a outra (as sensações de prazer rapidamente se desfazem e se tornam até chatas ou desconfortáveis).
5. Querer nos vingar de forma maldosa de qualquer pessoa que tenha nos ferido (ao fazer isso, nós nos tornamos tão ruins como eles, e envenenamos nossas mentes).
6. “Se eu tivesse tudo, certamente ficaria feliz”, ou “se eu tiver isto ou aquilo, eu posso ser feliz” (tais previsões não são geralmente corretas).
7. Querer sempre ser lisonjeado e nunca enfrentar qualquer tipo de crítica (o que não nos ajudará a progredir).
8. Eliminar todos os seus inimigos (a animosidade nunca nos trará a felicidade).
9. Nunca enfrentar as adversidades (isto nos faz fracos e vulneráveis).
10. Enfocar os nossos esforços apenas para cuidar de nós mesmos (o amor altruísta e compaixão são as raízes da verdadeira felicidade).

Fonte:Editora da Revista Liderança

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