O perigo da estagnação

A maior parte dos executivos brasileiros vai parar de progredir na carreira em algum momento da vida. saiba como evitar a paralisia profissional

Lucas Rossi (lucas.rossi@abril)  10/01/2013

A estagnação na carreira ronda os corredores das principais empresas brasileiras. Nos últimos cinco anos, a Kienbaum, consultoria de recursos humanos, de São Paulo, avaliou a competência gerencial de 18 000 presidentes, vice-presidentes, diretores e gerentes de grandes companhias e constatou que 43% dos executivos estão abaixo do nível profissional que se espera deles.

Entre os 57% que entregam adequadamente resultados, apenas 22% têm chances reais de chegar a uma posição alta em sua organização, aponta a Kienbaum. A avaliação, que dura em média dez horas, mediu a experiência dos gestores, sua capacidade de fazer análises, características pessoais e perfil de liderança, além de mapear competências como orientação para resultados e para o cliente, visão estratégica e capacidade de desenvolver pessoas.

A constatação é que 78% dos profissionais brasileiros estão ou ficarão estagnados durante a carreira. “Não há lugar para todos, só os muito bons sobem” afirma Fausto Donini Alvarez, sóciodiretor da Kienbaum e responsável pelo levantamento. “A maioria dos executivos caminha para fora da trajetória ideal de carreira.”

O levantamento mostra que a maioria dos profissionais começa a carreira bem preparada. Com o passar dos anos, porém, boa parte deles começa a render menos e, em muitos casos, para de evoluir como se esperava. Em todas as etapas da carreira, da juventude à maturidade, uma pessoa está sujeita a seguir crescendo ou decair, aproximando-se ou ficando mais distante do que seria uma trajetória ideal de evolução na carreira.

Seja para evitar uma queda, seja para retomar a rota de crescimento, o profissional precisa se esforçar para obter qualificação e estar disponível para assumir papéis mais difíceis. O grupo de quem progride, 20% do universo pesquisado, tem como característica a predisposição a aceitar desafios. “Os que se esquivam permanecem onde estão”, afirma Marcus Soares, professor do Insper, de São Paulo.

Ao surgir uma oportunidade, os gestores escolhem aqueles profissionais que se empenham em cumprir bem as tarefas e que, em experiências anteriores, mostraram ser capazes de lidar com a mudança, sem grandes problemas. “É preciso demonstrar mais competências do que aquelas exigidas para o cargo atual”, diz Marcus.

Atenção aos sinais
O perfil típico de profissional estagnado é aquele funcionário descontente com o que faz, sem perspectiva de ascensão em médio prazo e que exerce a mesma função há muito tempo.

“Ele escreve no currículo que tem dez anos de experiência, mas na verdade tem apenas um, os outros nove foram a repetição do primeiro”, diz Fausto, da Kienbaum.

A estagnação na carreira tem três sinais claros. O primeiro é estar há anos cumprindo as mesmas atividades e com contato com as mesmas pessoas. O segundo é nunca ser considerado para uma promoção, mesmo em empresas em que os processos de sucessão ou movimentação interna são muito estruturados.

Por último, não ser chamado para participar de novos projetos. “Os estagnados não demonstram interesse pela novidade”, afirma Fausto. Outra característica detectada no estudo é a vontade de aprender. Isso porque um profissional só consegue desempenhar papéis diferentes se fizer o esforço de estudar assuntos distintos.

Caso contrário, não terá bagagem para exercer as novas habilidades necessárias. A transição de analista para gerente, por exemplo, exige que o executivo deixe as capacidades técnicas de lado e use as competências de gestão.

Esse é um passo complicado e difícil, mas, que se tiver a atuação de um profissional resiliente e disposto a mudar, será bem-sucedido. Aos 60 anos, Antônio Carlos Sá, assessor de marketing e planejamento e do Grupo Guanabara Diesel, poderia começar a pensar sobre sua aposentadoria.

Depois de 11 anos no Grupo JCA, dono das companhias de ônibus 1001, Cometa e Catarinense, onde ocupou várias posições, o carioca resolveu aceitar, em outubro de 2012, uma nova proposta de emprego. Ele passou a planejar a operação do Grupo Guanabara Diesel, que, entre outros negócios, é dono de empresas de ônibus urbano nas capitais Belém, Rio de Janeiro e Fortaleza, e em Guarulhos, na Grande São Paulo. Um trabalho complexo e diferente de tudo o que ele tinha feito até então. “Não que eu estivesse morto, mas agora sou estimulado diariamente”, diz Antônio Carlos.

A mudança não foi apenas nas tarefas e no desafio, mas também na rotina, planejamenno ambiente corporativo, bem como das pessoas com quem ele convivia. Saber lidar com tudo isso é importante para a ascensão. Profissionais com carreiras estacionadas têm medo e não aceitam transformações, independentemente se elas forem pequenas ou grandes e da idade deles quando elas acontecem.

A hora do arranque
Um dos principais perigos da estagnação é a demora para perceber que a carreira estancou. Muitas pessoas se sentem satisfeitas e confortáveis com as tarefas que cumprem, por isso nem se dão conta. Uma pesquisa do Datafolha, feita em 2012 com 1 574 profissionais, mostra que 77% dos brasileiros estão felizes ou muito felizes no trabalho. Provavelmente, muitos deles estão estacionados, mas não se dão conta.

Isso porque estar feliz no trabalho não significa necessariamente se sentir realizado ou estar em um cargo de sucesso. “No fundo, os estagnados sabem que não fazem por merecer, mas fingem não enxergar”, diz Ane Araújo, da consultoria Marcondes, de São Paulo. “Eles têm baixa determinação.” Os sinais da estagnação estão no colega de trabalho que recebe promoção, em vez da própria pessoa, no projeto do qual ficou de fora, na ausência de ligações de recrutadores com convites para entrevistas, na falta de vontade de ir trabalhar.

A raiz de uma carreira apática é o medo de arriscar. Alguns profissionais não saem do lugar porque têm receio de que uma jogada não dê certo ou não traga os resultados esperados — então, dão sempre os mesmos chutes, pois sabem como será o resultado. Para se afastar dessa zona de conforto, é preciso planejamento e empenho. Promoções na carreira e oportunidades não caem do céu.

Esse é um passo complicado e difícil, mas, que se tiver a atuação de um profissional resiliente e disposto a mudar, será bem-sucedido. Aos 60 anos, Antônio Carlos Sá, assessor de marketing e planejamento e do Grupo Guanabara Diesel, poderia começar a pensar sobre sua aposentadoria.

Depois de 11 anos no Grupo JCA, dono das companhias de ônibus 1001, Cometa e Catarinense, onde ocupou várias posições, o carioca resolveu aceitar, em outubro de 2012, uma nova proposta de emprego. Ele passou a planejar a operação do Grupo Guanabara Diesel, que, entre outros negócios, é dono de empresas de ônibus urbano nas capitais Belém, Rio de Janeiro e Fortaleza, e em Guarulhos, na Grande São Paulo. Um trabalho complexo e diferente de tudo o que ele tinha feito até então. “Não que eu estivesse morto, mas agora sou estimulado diariamente”, diz Antônio Carlos.

A mudança não foi apenas nas tarefas e no desafio, mas também na rotina, planejamenno ambiente corporativo, bem como das pessoas com quem ele convivia. Saber lidar com tudo isso é importante para a ascensão. Profissionais com carreiras estacionadas têm medo e não aceitam transformações, independentemente se elas forem pequenas ou grandes e da idade deles quando elas acontecem.

A hora do arranque
Um dos principais perigos da estagnação é a demora para perceber que a carreira estancou. Muitas pessoas se sentem satisfeitas e confortáveis com as tarefas que cumprem, por isso nem se dão conta. Uma pesquisa do Datafolha, feita em 2012 com 1 574 profissionais, mostra que 77% dos brasileiros estão felizes ou muito felizes no trabalho. Provavelmente, muitos deles estão estacionados, mas não se dão conta.

Isso porque estar feliz no trabalho não significa necessariamente se sentir realizado ou estar em um cargo de sucesso. “No fundo, os estagnados sabem que não fazem por merecer, mas fingem não enxergar”, diz Ane Araújo, da consultoria Marcondes, de São Paulo. “Eles têm baixa determinação.” Os sinais da estagnação estão no colega de trabalho que recebe promoção, em vez da própria pessoa, no projeto do qual ficou de fora, na ausência de ligações de recrutadores com convites para entrevistas, na falta de vontade de ir trabalhar.

A raiz de uma carreira apática é o medo de arriscar. Alguns profissionais não saem do lugar porque têm receio de que uma jogada não dê certo ou não traga os resultados esperados — então, dão sempre os mesmos chutes, pois sabem como será o resultado. Para se afastar dessa zona de conforto, é preciso planejamento e empenho. Promoções na carreira e oportunidades não caem do céu.

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