Sem medo e sem dúvidas

Como fazer para que as pessoas confiem mais uma nas outras?
Jose Maria Gasalla

O trabalho em equipe é reconhecido como um poderoso instrumento para o ganho de performance das organizações. Por conta disso, ultimamente, muito se tem falado sobre como formar equipes produtivas, como tornar mais fluida a comunicação, como favorecer a integração no ambiente de trabalho etc. Pouco se fala, porém, de um aspecto fundamental para a eficiência das equipes: a confiança.

Warren Bennis, da Universidade do Sul da Califórnia, definiu, certa vez, a confiança como o lubrificante que torna possível o funcionamento das organizações. Nessa metáfora, está implícita a idéia de que a confiança reduz os atritos entre as pessoas, azeitando os relacionamentos. Realmente, quando os membros de uma equipe confiam uns nos outros, há maior disposição em cooperar, compartilhar conhecimentos e comprometer-se com os resultados. Não é à toa que as mais avançadas teorias de gestão consideram a confiança como um elemento-chave capaz de proporcionar a integração, a fluidez e a flexibilidade que as empresas precisam para sobreviver no mundo globalizado.

Se não parece difícil assimilar a idéia de que confiança é fundamental para o trabalho em equipe, o mesmo já não se pode dizer sobre pôr essa idéia em prática. Confiar implica colocar-se em situação de vulnerabilidade perante aquele em quem se confia, acreditando em suas boas intenções e que ele fará a coisa certa. Por uma questão de economia emocional e autopreservação, as pessoas não saem confiando abertamente em todos; longe disso, têm critérios muito subjetivos, que as levam a decidir confiar ou não. Some-se a isso o fato de que o ambiente empresarial é competitivo, refletindo a realidade do mercado de trabalho e do próprio mundo em que vivemos, e constatamos o quanto a questão é complexa.

Por isso, a idéia de fomentar a confiança entre os membros de uma equipe provoca a inevitável pergunta: como fazer para que as pessoas confiem mais umas nas outras? É certo que a disposição em confiar varia de uma para outra, mas poderíamos dizer que todas são propensas a isso desde que reconheçam no outro certos comportamentos que o qualificam como um indivíduo confiável. Trata-se, portanto, de valorizar e estimular a adoção desses comportamentos (veja quadro).

Uma das chaves para fomentar a confiança está em visualizá-la como um fator de caráter intrapessoal que repercute nos relacionamentos interpessoais. Há que se considerar, também, o fator cultura organizacional, que pode ou não favorecer o desenvolvimento da confiança. Culturas que utilizam mecanismos de controle externo para manter padrões de conduta ameaçam a autonomia das pessoas e dificultam o surgimento de comportamentos baseados em confiança.

A confiança predispõe as pessoas a abrirem-se para ouvir e compreender o outro, o que lhes permite criar canais de comunicação, avaliar suas capacidades e assumir uma postura que favorece relacionamentos baseados no ganha-ganha. É por meio dessas atitudes que se consolida a cooperação, sustentada na crença de que ninguém atinge um objetivo sozinho. Constituem-se, assim, equipes caracterizadas pela coesão e fluidez dos processos internos, o que, sem dúvida, tem um impacto sobre seus resultados – não só os relacionados ao trabalho, como produtividade e rendimento, mas também os de caráter psicossocial, como motivação, bem-estar e satisfação.

Sinais de segurança

Confira os aspectos que devem ser valorizados para aumentar a confiança entre os membros de sua equipe:

– Competência – habilidades, talentos e características que permitem à pessoa ter influência em determinado campo de atuação.

– Transparência – atitude de dizer a verdade e colocar sinceramente as expectativas que se tem em relação ao outro. Em relacionamentos pautados pela transparência, as intenções são claras e a comunicação flui bem nos dois sentidos, transmitindo mensagens concretas.

– Cumprimento das metas – trata-se de realizar o que se prometeu ou comprometeu a fazer. Quando a pessoa em quem se deposita confiança sabe qual é a expectativa do outro a seu respeito, ambos podem manter um diálogo a partir do qual o cumprimento da meta é facilitado.

– Consistência – característica da pessoa cujas atitudes estão alinhadas com um histórico de condutas passadas.

– Comprometimento – no aspecto profissional, uma pessoa comprometida atua com seriedade e empenho em atingir os resultados. No aspecto pessoal, demonstra interesse pelos outros, inspirando-os a confiar nela.

– Coerência – coerente é a pessoa que faz aquilo que prega, que considera bom para os outros o que considera bom para si mesma. Trata-se do fator mais crítico para a confiança, já que a prática mostra quão difícil é para as pessoas ser coerentes.

– Cumplicidade – trata-se de criar algo em comum com o outro, uma relação de parceria e lealdade na qual os objetivos e motivos estão implícitos. A cumplicidade gera o sentimento de que todos estão no mesmo barco.

Jose Maria Gasalla é palestrante internacional e autor de Marketing e Formação de Executivos (Qualitymark)

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