COMO MOVER O QUEIJO?

Em seu novo livro, o professor Deepak Malhotra mostra que o sucesso começa no questionamento da mudança e não na adaptação cega. Nesta entrevista, ele explica sua perspectiva

Com mais de 23 milhões de cópias, o alegórico livro Quem mexeu no meu queijo? (ed. Record), de Spencer Johnson, é dos grandes campeões de vendas de todos os tempos. Após 13 anos de seu lançamento, ainda está no topo da categoria “comportamento no trabalho” da Amazon.com – graças, em parte, aos gestores corporativos que distribuem essa leitura a sua equipe, como uma mensagem de aceitação digna e antecipação das mudanças. Mas será que essa é a melhor lição a transmitir?
Deepak Malhotra, professor da Harvard Business School que esteve no Fórum HSM de Negociação realizado em agosto, acredita que não.

Ele criou uma alegoria oposta à do ratinho que o livro de Johnson apresenta e o livro é dedicado a quem não quer ser um rato no labirinto alheio. Chama-se I moved your cheese: for those who refuse to live as mice in someone else’s maze, e foi lançado em setembro pela editora Powell Books.

“O livro é baseado na ideia de que o sucesso em inovação, empreendedorismo, criatividade, liderança e crescimento nos negócios e na vida pessoal depende da habilidade de alargar as fronteiras, dar nova forma ao ambiente e jogar sob novas regras, como as suas próprias”, resume Malhotra em seu livro.

Segundo ele, diante de práticas consolidadas, ideias tradicionais, recursos escassos e demandas e expectativas fortes da parte de outros, costumamos subestimar nossa capacidade de controlar o destino e superar limites reais ou prospectados.

Mas como criar a nossa realidade desejada?

“Primeiro, temos de descartar as noções muitas vezes profundamente enraizadas de que sejamos ratos no labirinto dos outros”, ressalta Malhotra. Em entrevista ao HBR Working Knowledge, o autor falou sobre sua fábula.

HBR – Na introdução de seu livro, lemos “A mensagem de Quem mexeu no meu queijo? pode ser não apenas incompleta, mas também perigosa”. Como pode ser perigosa? O que o sr. diria aos gestores que consideram distribuir tal livro entre seus funcionários?
Deepak Malhotra – Se o gestor pensar cuidadosamente sobre a mensagem do Quem mexeu no meu queijo? e, ainda assim, quiser dar esse livro a sua equipe, eu certamente não tentarei interferir na decisão. Todo livro tem insights úteis. Mas, por vezes, a mensagem do livro pode ser até perigosa, ou pelo menos debilitante, porque promove a ideia de que a mudança está inevitavelmente fora de seu controle e que não deveríamos desperdiçar tempo pensando em como as coisas são como são, e que deveríamos apenas baixar nossas cabeças e permanecer correndo para lá e para cá no labirinto, procurando o queijo.

HBR –Seu livro parece tratar da possibilidade de questionar e causar a mudança, em vez de somente aceitá-la. Mas para aqueles que não se veem como agentes de mudança, há um meio termo entre cegamente aceitar as coisas e ativamente provocá-las?
Malhotra – Na minha visão, devemos realmente pensar duas vezes antes de dizer a potenciais inovadores, solucionadores de problemas e líderes que, em vez de desperdiçarem tempo perguntando por que as coisas são como são, deveriam simplesmente aceitar o mundo como se apresenta. Mas, mesmo em situações que estão fora de nosso controle e a adaptação é a única opção viável, ou seja, mesmo para quem não é agente de mudança, devemos fazer mais do que cegamente aceitar o destino. Também precisamos procurar entender por que a mudança nos veio, como conseguiremos controlar mais nossas vidas e empresas no futuro, se nossas metas são as corretas e o que seria necessário para escapar dos labirintos nos quais ficamos sujeitos aos desígnios de outros. O livro tenta nos inspirar a colocar questões importantes como essas e a tomar o controle de nosso destino.

HBR – Um rato diz ao outro em seu livro: “O problema não é que o rato esteja no labirinto, mas que o labirinto esteja no rato”. O que isso quer dizer?
Malhotra – O que normalmente nos impede de alcançar mais sucesso não são limitações reais, mas as pressões ambientais que internalizamos, bem como as normas sociais e as expectativas das pessoas. O mundo nos diz como as coisas têm de ser, e não empurramos isso de volta com força suficiente.

HBR – O sr. planeja usar este livro em sala de aula? Como as organizações poderiam usá-lo?
Malhotra – No final do livro, apresento questões para discussão para professores, gestores e executivos. Pretendo usar o livro em sala de aula, sim. Penso que é uma grande ferramenta para discutir questões que são abordadas em amplo espectro de cursos, incluindo de liderança, empreendedorismo, poder e política, estratégia e comportamento organizacional.
 O valor para aqueles que lideram ou trabalham nas empresas pode ser ainda mais óbvio. Entre aulas e consultoria, já trabalhei com mais de 10 mil donos de empresas, executivos  e gestores na última década e, em minha experiência, mesmo as pessoas inteligentes, trabalhadoras e bem intencionadas têm dificuldade de resolver os problemas mais irritantes que os objetivos dos negócios nos trazem.

O livro foi criado não apenas para inspirar indivíduos que trabalham em organizações a pensar e fazer as coisas de maneira diferente, mas também para motivar discussões estruturadas sobre como uma equipe, divisão ou companhia pode desafiar premissas antigas, ver o velho de modo novo e construir um novo caminho para o sucesso.

HBR – Por que as fábulas de negócios são tão populares?
Malhotra – Parte da resposta é que são fáceis de ler e agradáveis. Também conta o fato de que cada leitor tem necessidades diferentes e uma fábula permite que cada um extraia uma mensagem única do livro. Mas talvez haja outra razão. No campo dos negócios, raramente existe um insight ou ideia que sejam totalmente novos. Ainda assim, muitas ideias que estão por aí por muito tempo ainda não foram transformadas em ação por aqueles que estão liderando as organizações ou pelos colaboradores. Isso remete à diferença entre tornar uma boa ideia disponível para um público e articulá-la de modo a inspirar as pessoas a aplicá-la. Uma boa fábula de negócios pode ser melhor para nos inspirar a agir.

Matéria realizada pela HSM.com.br

http://www.hsm.com.br/editorias/gestao/como-mover-o-queijo

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